Crônicas
Quando os Destinos se Cruzam –
Crônicas do Destino
A série de crônicas a seguir, foi baseada no livro “Quando
os Destinos se Cruzam”. Um romance onde o Destino insiste em interferir na
história de Amor de Fernando e de Jéssica, por anos a fio. Ora aproximando, ora
afastando-os. Entre idas e vindas, entre alegrias e fatalidades lá estava o
Destino sempre no caminho deles.
Quando os Destinos se Cruzam – Crônicas do Destino, vai
mostrar ao leitor, que o Senhor Destino pode cruzar os caminhos de qualquer
pessoa, a qualquer momento e após isso acontecer os resultados podem e serão
sempre imprevisíveis, sempre cabendo ao mesmo Senhor Destino mostrar o que
havia preparado para aquela situação.
Neste mundo de bilhões de pessoas, cruzamos com os destinos
de pelo menos uma centena de pessoas por dia e nunca nos damos conta disso. Mas,
nunca saberemos se aquele cruzamento despercebido as vezes nos trará efeitos
indeléveis em nossas vidas.
Nunca sabemos qual o próximo destino a ser cruzado e quando
poderá ser o nosso. E qual será o outro?
O Olhar e o Destino
O trânsito para no farol. No carro ela indo para o trabalho
ajusta a sintonia do rádio. Ele após aguardar o farol de pedestres ser liberado
começa a atravessar a rua, com sua bicicleta na faixa de pedestres da avenida
muito movimentada. Estava indo ao trabalho também, mas preferia a mobilidade da
bike.
No meio do cruzamento, ele olha e ela no mesmo instante,
olha para ele. Os olhares se cruzam. Os olhos verdes cintilantes dela, veem os
olhos castanhos alegres dele abaixo do capacete. Ele continua e atravessa. O
Farol abre e ela segue com seu carro para o trabalho. Mal sabiam ambos que o
destino deles havia se cruzado e a partir daquele momento, tudo poderia
acontecer, pois o destino insiste em brincar com aqueles que permite se cruzar.
O dia de ambos segue normal como qualquer outro, mas em
poucos instantes, tudo haveria de mudar, ser alterado, ser afetado pelo Senhor
das vidas de todos: O Destino.
Ao final da tarde ele, se prepara para deixar o escritório
de advocacia onde trabalhava já havia alguns anos na área de trabalhista para
algumas grandes empresas em um escritório renomado. Após trocar o terno pelas
vestimentas de ciclista e se paramentar com todos os equipamentos, sai com sua
bike para o trajeto de dez quilômetros para seu apartamento.
Antes de sair, porém, sentiu um frio estranho tomar conta de
seu corpo. Um arrepio que jamais havia sentido.
Nesse momento do outro lado da cidade, os olhos verdes ainda
estavam na metade de sua jornada de trabalho, no corre, corre de todos os dias
pela profissão escolhida. Não tinha ideia ainda do que aquele dia e o destino
ainda reservada também para ela, naquele que até então estava sendo um dia
normal.
A avenida muito congestionada, o vai e vem de carros e
motos, como abelhas que passavam zunindo ao seu lado. Ele, na Ciclo Faixa no
zig-zag de todo o dia, de final de tarde agitada no trânsito caótico da grande
cidade.
Ao final de um grande corredor da Ciclo Faixa que cortava a
imensa avenida, havia um cruzamento com farol, para carros e pedestres. Ao
chegar próximo ao cruzamento ele com seus olhos alegres percebe o cruzamento
aberto para sua passagem. Pedala mais forte. Ao cruzar é terrivelmente
abalroado por uma grande caminhonete que não respeita o sinal de parada. Ele é
arremessado para o alto e cai já desacordado no gramado, enquanto sua bicicleta
continuava presa à caminhonete que sequer reduziu a velocidade e continuou seu
caminho até ser parada no farol seguinte por pessoas que viram a cena.
O resgate chega rápido, mas o estado dele ele muito grave.
“Hospital das Clínicas fala o Médico ao Bombeiro. Rápido podemos perdê-lo a
qualquer momento.”
Na sala de emergências chega o aviso do acidente e do
recebimento via resgate de um atropelamento com muita gravidade. Todos se
preparam para receber a vítima.
Ele chega, é levado as pressas para a sala de cirurgia, onde
já começa a ser preparado para os procedimentos necessários para o caso. Ainda
mostra sinais de pouca consciência entre abrir e fechar de olhos. Os olhos
alegres estavam agora em choque.
Neste momento adentra a sala, já paramentada a especialista
em traumas de plantão do dia. Aqueles lindos olhos verdes, ao olhar seu
paciente, o Senhor Destino trouxe para si o olhar daquela manhã. Ela não tinha
dúvidas. Aqueles olhos eram inconfundíveis. Nisso em um relance de lucidez, ele
fita os olhos dela e a mesma mágica do destino acontece.
O Destino naquele dia havia cruzado a vida de uma das
melhores Médicas em Traumatologia do Hospital das Clinicas e com um jovem
comum, alegre, trabalhador e com olhos alegres.
Ao final de muitas horas de trabalho os olhos verdes,
verteram lágrimas de satisfação e alegria. Ela havia salvado a vida daqueles
lindos olhos castanhos que em algum tempo voltariam a ser alegres novamente.
Assim, o Destino cruzou as duas vidas, em um dia comum, em
um momento comum, em uma hora comum, sem nada marcado, sem convite formal ou
prévio agendamento.
Desta vez o Senhor Destino ao cruzar os caminhos de um par
de olhos, permitiu que um final feliz se concretizasse, mas na vida e no
destino, nem sempre isso acontece. Muitas vezes o cruzar dos destinos pode ser
imprevisível.
A Flor e o
Colibri. O despojar do Amor!
No mesmo jardim, uma bela Flor, a
mais bela Flor de Maio, começava a desabrochar. Sua beleza e sua delicadeza, esmerava
cuidados do jardineiro. Zelava de sua Flor e por vezes, tinha medo de cuidar de
mais e não vê-la florescer. Nossa Flor, a cada dia mais bela ficava e já dava
sinais de desabrochar, pois atraia pelo perfume de sua seiva, muitos
Beija-Flores, que o jardineiro ainda tentava afastar.
Um dia de raro esplendor de uma
primavera de beleza inigualável, enquanto voava pelo jardim, nosso beija-flor
avistou a mais linda Flor que seus pequenos olhos já haviam sido brindados em
ver. Suas penas reluziam ainda mais ao ver tão bela e tão delicada Flor. Ao se
aproximar, viu que suas pétalas começavam a brilhar também e até lhe pareceu
que ela começava a se abrir pra ele, pois ainda estava essa linda flor no
início de seu desabrochar.
Desse dia em diante, nosso
beija-flor cortejou em silêncio a linda flor. Se achava muito magro, muito
fraco e muito feio. Achava que era sem graça, desengonçado em relação a outros
colibris já mais empenados. Mal sabia ele, que a linda flor, tinha se
apaixonado por ele, e não via a hora de ser despojada por seu colibri.
Um dia, ele em meio a uma revoada
de colibris, quis voar o mais longe possível e sem saber passou pelo jardim e
por sua linda flor pela última vez. De longe disse a ela: - “Eu volto logo. Vou
te despojar em néctar minha Flor do Dia”.
Voou!
A flor lá ficou. A mercê do
tempo, do caso e de todo o acaso do tempo. Desabrochou e murchou, por alguns
colibris, mas sempre esperou seu único Beija-Flor.
Nossa linda flor trazia consigo
marcas duras da vida. Cicatrizes produzidas até mesmo por seu jardineiro. Essa
como outras não ficavam à mostra. Estavam escondidas sob suas mais lindas
pétalas, mas eram muito profundas.
Mesmo com todas as intemperes do
tempo e do destino, a flor produziu fruto. Junto a ela um novo ramo brotara.
Havia sido despojada por um colibri Rabo de Renda. Os beija-flores são
territoriais. As vezes por total falta de empatia e por puro instinto animal,
brigam até a própria morte, por serem possessivos. Mal sabem eles que as flores
são livres. Não tem dono. Nem mesmo seus jardineiros.
Tal como a flor, o fruto já
trazia suas marcas. Estava começando a desabrochar, mas as marcas profundas, só
revelavam algumas pétalas e por muitas vezes, fechava-se subitamente em um
inverno de escuridão. A flor não se permitia também, abrir-se por completo. O
Rabo de Renda era cruel, sufocava a flor e o fruto. Não despojava mais a flor.
Esta não permitia mais. Em contrapartida, mais a aprisionava, com seu bico de
calibre mortal, o qual ostentava com o orgulho dos vis ignorantes.
Por sua vez, o tempo e o destino
tramavam com a vida. Nosso colibri, antes acanhado e inexperiente, hoje já
trazia em suas reluzentes penas, o peso do tempo. Seu brilho estava ofuscado.
Estava cansado de voar em vão e de não ter encontrado sua definitiva flor pelos
jardins da Vida. Resolveu voltar pra casa. Na verdade o destino resolveu pra
ele.
O nosso Colibri havia voltado onde
tudo começou e ao chegar viu a sua linda flor. Ele não acreditava. Pensou: Será?
Poderia ser realmente ela? Seria ela mesmo que há tanto tempo ele havia
prometido voltar e despojá-la?
Voou por algum tempo ao redor
dela. Todos os dias ele voava ao seu redor. Queria ter a certeza que ela também
se lembrava dele. Começou a Perceber que sua presença propiciava um perfume
maravilhoso no ar todas as vezes que ele estava ao seu redor.
O perfume era mais permanente e
tomava conta de todo o ambiente. Tomava conta de todo jardim. Por muito tempo
ele voou ao redor, pois queria ter a certeza. Começou a perceber que sua linda
flor já com seu broto também florido, mas não totalmente aberto, trazia muitas
marcas consigo.
Ela estava em um grande
sofrimento e aparentava sentir a dor de suas feridas. Ele então decidiu que
deveria mais uma vez corteja-la. Dessa vez, se ela ainda permitisse o despojar
seria definitivo. Seria o despojar o único e verdadeiro, o despojar de um amor
que há tanto tempo havia sido interrompido, havia sido bloqueado pelo destino.
Assim ele foi chegando, foi voando cada vez mais perto, cada vez mais quase
tocava as pétalas dela, mas ele não se atreveria a tocar nela. Ficou sabendo
que o Rabo de renda, com sua plumagem cinza e obscura, a possuía literalmente.
Assim, ela estava cada vez mais fechada. Nem mesmo nos mais belos dias de
primavera se permitia abrir-se. Mas nosso colibri estava decidido a nunca mais
perder sua Flor. Ao invés de despojá-la, ele decidiu que tentaria amenizar suas
dores e curar suas feridas com o mais puro néctar: O Amor verdadeiro.
Assim foi. Todos os dias ele
trazia em seu bico o néctar do Amor, que a vida e todos os jardins, e
principalmente no Jardim de Deus, abelhas e flores da paz e do bem, o haviam
preenchido. E a cada dia, ao invés de tirar o néctar da Flor, ele gotejava um
pouco em cada marca, em cada ferida, em cada cicatriz dela.
Aos poucos, a Flor foi cedendo,
foi se abrindo e começou a produzir seiva novamente. Um néctar puro, tão puro
que nunca antes havia produzido.
O Mestre Jardineiro, após ter
desatado muitos nós se seu caule central, tinha feito as dores da linda Flor
amenizarem. Ela ainda se recuperando, decidiu permitir que o colibri a
despojasse. Ela desejava isso tanto quanto ele.
Um dia, o décimo do ciclo, do
oitavo período de lua, já no estertor do sol e no romper da lua, ela permitiu
que o colibri retirasse a primeira seiva de si. Foi o momento mais mágico e
transcendental que o jardim já presenciou, entre o sol e a lua.
Enquanto a despojava, o colibri e
a Flor, viram passar as suas vidas como um filme. Estavam em transe total. De
súbito sem que ela percebesse ele a despojou por completo. Penetrou no profundo
de sua flor de Amor. Naquele momento sol e lua, céu e terra, ar e água, chuva e
brisa, se transformaram em furacão de sensações nunca antes sentidas por ambos.
Estavam despojando-se um ao outro
da forma mais pura e definitiva. Nem o tempo, nem o destino evitou o que a Vida
e o Jardineiro dos Jardineiros, o Arquiteto Criador, havia escrito em seus
planos.
O Amor do Colibri por sua Flor do
Dia, pode ser visto em qualquer jardim, de qualquer casa, em qualquer parque ou
praça. Todos os dias a dança do Amor entre Colibri e Flor se repete em
homenagem ao Nosso Colibri e sua Flor do Dia. Caso não acredite, pergunte ao
Jardineiro ou a um de seus querubins, como Gabriel, ou direto a seu Pai o
Jardineiro Mestre dos Mestres: Emanuel. A confirmação será em forma de uma
imensa LUZ, que cegará os incrédulos e iluminará pra sempre os amantes.
Por mais que a vida o impeça de
ver, haverá sempre uma Flor desabrochando em um Jardim. De seu Néctar, novas
Flores em outros Jardins. Permita-se abrir seus olhos ao AMOR. A LUZ do
Jardineiro Emanuel, preencherá seu Coração e sua Alma.


Comentários
Postar um comentário